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Metade dos dekasseguis querem
montar seu próprio negócio no Brasil
Montar um pequeno negócio geralmente é o
destino certo de brasileiros que regressam de outros países. Depois de viver
muito tempo no exterior, a tendência é que essas pessoas procurem montar
empresas e trabalhar naquilo que sempre tiveram vontade.
Mas por estarem tanto tempo fora do País,
não conhecendo a realidade de mercado e sem muitas informações sobre como
empreender, é comum também que essas empresas não obtenham êxito. Foi
pensando nesse mercado, que o Sebrae assinou convênio com o BID – Banco
Interamericano de Desenvolvimento – que visa capacitar cerca de 10 mil
pessoas entre os que vivem no Japão e os que já regressaram ao Brasil. O
convênio, assinado em abril, prevê o investimento de U$ 3,1 milhões durante
quatro anos na realização de cursos presenciais e via Internet para
estimular a capacidade empreendedora dessas pessoas e promover encontros e
seminários que abordem o tema
O Projeto Dekassegui será desenvolvido
durante os próximos quatro anos e atenderá especialmente as comunidades mais
populosas de imigrantes japoneses e onde moram o maior número de
dekasseguis. O Sistema Sebrae será o responsável pela implantação e gestão
do projeto, constituído por capacitações em empreendedorismo, encontros e
seminários.
A expressão “dekassegui” refere-se aos
migrantes japoneses da segunda geração, nascidos no Brasil, que optam por
viver e trabalhar temporariamente no Japão, visando poupar dinheiro. Ao pé
da letra, Dekassegui significa “temporário” e, a princípio, era usado para
fazer referência aos japoneses que imigravam de uma província para outra
dentro do próprio país em busca de melhores oportunidades. Segundo estudo
recente do BID, um entre cinco dekasseguis retornam ao Brasil, após cinco
anos, em média.
A maioria abre pequenos negócios no País
com a poupança gerada no Japão. Dados do BID apontam que no fim de 2002
viviam cerca de 270 mil imigrantes brasileiros no Japão, tornando a
comunidade brasileira a terceira maior de imigrantes naquele país, depois
dos coreanos e chineses.
Moram hoje no Japão, segundo o Banco
Santander, cerca de 275 mil dekasseguis, número que deve subir para 300 mil
este ano. Trata-se da maioria dos latinos na região, seguida dos peruanos,
cujas remessas para o País somaram US$ 365 milhões ano passado.
O programa oferecerá aulas que vão de como
escolher melhor o fornecedor até ferramentas de gerência do caixa da
empresa. Dados do Sebrae mostram que a taxa dos brasileiros que imigram para
o Japão, voltam, abrem um negócio e fecham em menos de um ano está hoje
acima da média nacional de 46%.
Os dekasseguis que voltam para o Brasil e
fracassam na tentativa de abrir um negócio no primeiro ano são 55% do total.
“Pensando nisso, percebemos que muitos brasileiros precisam de noções de
gerência de negócios e administração de pequenas empresas”, diz Lecy Garcia.
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